Nos últimos dias o tema da educação tem ocupado lugar de destaque
nos meios de comunicação, motivado pela divulgação do resultado do
ENEM 2010. Brevemente serão publicados os resultados do ENADE 2010
trazendo dados sobre a qualidade da educação superior brasileira. O
tema da avaliação da educação desencadeia debates intensos e
perspectivas nem sempre convergentes. Um dos temas candentes se
refere ao sistema de avaliação uniforme e padronizado que pretende
mensurar a realidade de um sistema educativo diversificado em
diversas esferas de análise: diversificado do ponto de vista social,
cultural, econômico e gerencial entre outros. Isso significa que
ainda que as condições para a construção da educação sejam díspares,
são esperados resultados iguais, mesmo que nem todos tenham obtido o
acesso aos insumos educacionais e culturais necessários a um
desempenho satisfatório. Esse tema está presente no antagonismo
entre escolas públicas e privadas: enquanto as escolas públicas de
nível médio, em sua maioria, amargam baixos resultados no ENEM, as
particulares obtem resultados ligeiramente melhores. Na educação
superior esse jogo inverte-se, tendo as universidades públicas
melhor desempenho que as particulares em todos os índices que
mensuram a qualidade dos cursos superiores.
Muitos identificam na
disparidade social e econômica uma das razões para essa diferença de
resultados: os alunos que freqüentam a escola pública na educação
básica são oriundos de camadas sociais sem acesso a bens culturais
mais elaborados, de ambientes familiares de baixa escolaridade e
contam com uma escola pública incapaz de agregar conhecimento
sistematizado, valor cultural e pedagógico à sua experiência de
formação. Em conseqüência esses alunos acabam por serem excluídos do
sistema público de educação superior cujas vagas são preenchidas, em
sua maioria, por aqueles da rede particular que possuem experiência
cultural mais rica em seus ambientes familiar, social, econômico e
escolar. Essa dicotomia nos
remete a outra linha de debate que acompanha a avaliação da
educação: qualidade versus quantidade. A história da educação
brasileira é marcada pelos esforços de democratização do acesso à
educação que nos conduziram ao presente cenário de quase
universalização da educação nos níveis básicos e médios o que gerou
uma relativa expansão da educação superior. Ainda que a
universalização não tenha sido acompanhada da tão desejada
qualidade, não podemos deixar de reconhecer sua importância. O
caminho da reflexão e da ação para o próximo tempo deverá ser no
sentido de organizar uma escola capaz de agregar valor cultural e
conhecimento sistematizado nos diversos saberes de tal forma que a
escola não seja apenas reflexo das realidades sociais e econômicas
de seus alunos, mas também contribua para sua transformação.